Os clientes do Santander em Piraju se revoltaram com o descaso do banco, que anunciou o fechamento de sua única agência na cidade para sexta-feira, dia 4. Nos dias que antecederam o encerramento das atividades, a instituição impôs um tempo de espera de mais de três horas para atendimento, causando indignação e sofrimento, principalmente entre os idosos. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região presenciou o fato, no dia 1º de abril, durante protesto realizado na agência.
A falta de planejamento do Santander, que deveria ter reforçado o atendimento nesse período de transição, chocou os clientes. Apenas três funcionários (sendo dois deles de outra unidade) se desdobraram para atender as mais de 25 pessoas, em sua maioria aposentados com problemas de saúde. Espantosamente, mesmo diante desse caos, o Santander ordenou que um dos funcionários deixasse de atender o público por meio período para fazer o inventário da agência.
Sem atendimento prioritário, os idosos tiveram de enfrentar filas intermináveis sob condições desgastantes. Alguns diabéticos relataram ao Sindicato ter precisado sair para almoçar e depois retornar ao banco, já que a espera excessiva poderia causar hipoglicemia. Inclusive, uma senhora diabética sequer conseguiu sair para almoçar e precisou comer apenas um salgado dentro da agência para não perder seu lugar na fila.
Outra situação que expõe a falta de consideração do Santander foi a de um casal de idosos com mais de 80 anos. No dia anterior ao ato da entidade, eles ficaram na agência das 11h às 18h buscando a portabilidade bancária. Sem sucesso, tiveram de voltar no outro dia e aguardar novamente por horas.
Desprezo
Além do tempo de espera abusivo, os clientes ficaram insatisfeitos com o fato de que a cidade ficará sem uma unidade do banco. O Santander direcionou os clientes de Piraju à unidade de Fartura, a mais de 20 km de distância. Muitos clientes afirmaram que não terão condições de se deslocar até outro município para continuar utilizando os serviços do banco e, por isso, serão obrigados a encerrar suas contas.
“Sou correntista há mais de 30 anos. É um absurdo que um banco desse porte trate os clientes com tanto desprezo. Depois de anos de fidelidade, somos forçados a esperar por horas sem nenhuma consideração e vamos ter que ir até outra cidade para conseguir atendimento. Não tenho como ir para outra cidade toda vez que precisar de atendimento. Vou fechar a minha conta!”, lamentou uma cliente.
Diante de tamanha indiferença para com clientes e funcionários, fica evidente que o Santander tem um plano: reduzir ainda mais as agências em cidades menores, priorizando o atendimento digital e clientes com maior poder aquisitivo.
Durante o protesto, em contato com a Regional e a Relações Sindicais, o Sindicato voltou a exigir respeito aos funcionários e clientes.
Demissões
Dos quatro bancários que trabalhavam na unidade, três estão afastados por licença médica. A única bancária que trabalhou nos últimos dias de funcionamento da agência de Piraju, enfrentando sobrecarga e tumulto, foi demitida imotivadamente no dia 4. Assim como os colegas, ela também precisou se afastar, mas retornou recentemente.
O Sindicato já ofereceu apoio jurídico a ela e segue acompanhando a situação dos demais funcionários afastados que ainda não foram realocados. Todos os terceirizados também perderam o emprego. Inaceitável!

Falta de consideração do Santander foi criticada pelos clientes, que tiveram de aguardar por horas para serem atendidos

Fred, diretor do Sindicato, critica descaso do Santander

Tonon, diretor do Sindicato, cobra que Santander respeite clientes e funcionários

Protesto do Sindicato foi realizado no dia 1º de abril. Santander mente ao dizer que tem consideração pelos clientes e funcionários