, 24 de setembro de 2017
Últimas Notícias

Correios estudam medidas para driblar estabilidade dos empregados


30/03/2017
Bancários na Frente, edição 29

No dia 27, o jornal Valor Econômico informou que "a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) avalia uma medida radical para fechar o rombo em seus cofres". Segundo a reportagem, "o departamento jurídico da estatal foi acionado para verificar se há meios de driblar a estabilidade dos empregados e fazer 'demissões motivadas', com o objetivo de reduzir o quadro de pessoal".

O jornal ainda diz que "a diretoria dos Correios prepara sua sustentação com base no artigo 173 da Constituição, que permite adotar em empresa pública o regime jurídico de empresas privadas" e, por fim, que "haveria brecha legal também para as dispensas motivadas na CLT, com a alegação de que a ausência de medidas pode colocar a estatal em colapso".

Guilherme Campos, atual presidente da ECT, confirmou ao Valor a existência das discussões, mas disse que nenhuma decisão foi tomada até agora.

Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o simples fato de haver esse tipo de discussão, sobre a viabilidade de demitir trabalhadores concursados, já é suficiente para mostrar que o governo Temer está disposto a tudo para enxugar e vender o patrimônio público. Se esse absurdo ocorrer nos Correios, não há dúvida de que vai ocorrer também em outras estatais.



Causas do rombo

É verdade que a ECT anunciou prejuízo de R$ 2,1 bilhões em 2015. Os números de 2016 ainda não foram divulgados, mas o Valor afirma que no ano passado a estatal teve outro prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões e que somente nos dois primeiros meses de 2017 já acumula prejuízo de quase R$ 500 milhões.

No momento, os Correios estão fechando 250 agências em todo o país, depois de um plano de desligamento voluntário lançado em janeiro ao qual aderiram 5,5 mil trabalhadores. A empresa estima que, para equilibrar suas contas e ser sustentável, precisa cortar entre 20 mil e 25 mil postos de trabalho.

Entretanto, Marcos César Alves Silva, que é o representante dos empregados no Conselho de Administração dos Correios e está a par de tudo o que acontece na estatal, diz que os resultados negativos não decorrem de problemas do mercado e nem da quantidade de empregados (pouco mais de 117 mil). Ele diz que o agravamento da situação financeira da empresa se deve ao recolhimento exagerado de dividendos (foram transferidos R$ 6 bilhões ao Tesouro Nacional), ao represamento de tarifas postais em anos eleitorais e ao excesso de indicações políticas no comando da estatal.

O Sindicato se solidariza com os trabalhadores dos Correios, que estão sendo pressionados a pagar uma conta que não é deles, e sim das péssimas administrações partidárias recentes.


Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região
Rua Marcondes Salgado, 4-44, Centro - CEP 17010-040 - Bauru/SP
Fone (14) 3102-7270 Fax (14) 3102-7272 - contato@seebbauru.com.br