Segunda-feira, 24 de abril de 2017
Caixa Econômica Federal

Caixa e empregados terão de cobrir um rombo de R$ 7,7 bilhões na Funcef

Participantes do REG/Replan Saldado e do Não Saldado vão pagar contribuição extra --de mais de 10% do salário -- por cerca de 20 anos!

Bancários na Frente 23
19/12/2016

A questão da aposentadoria é de interesse de toda a classe trabalhadora e tem sido bastante discutida nos dias atuais, não só por causa do projeto do governo Temer de reformar a Previdência Social (leia aqui), mas também por causa dos sucessivos e bilionários déficits dos fundos de previdência complementar de diversas estatais, como os da Petrobras (Petros), dos Correios (Postalis) e da Caixa Econômica Federal (Funcef).

No dia 12, a imprensa divulgou que a Caixa e os participantes da Funcef precisarão injetar R$ 7,7 bilhões para cobrir o rombo do fundo de pensão -- metade desse valor será descontada dos contracheques de salários e benefícios de 62,5 mil empregados e aposentados da Caixa e a outra metade será paga pelo banco.

A Funcef tem quatro planos, sendo dois deles de benefício definido: o REG/Replan Saldado e o REG/Replan Não Saldado. Nessa modalidade de benefício definido, o trabalhador sabe desde sua entrada no plano o quanto vai receber por mês ao se aposentar. Havendo déficits, ele e a empresa patrocinadora precisam fazer aportes para cobri-los.

Como em 2015 esses dois planos registraram déficit, a partir do ano que vem a Funcef vai aumentar a taxa adicional dos participantes do REG/Replan Saldado e instituir a cobrança extra para os participantes do REG/Replan Não Saldado.

Os quase 57 mil participantes do REG/Replan Saldado, o maior e mais antigo da Funcef, já estavam tendo descontados, desde maio, 2,78% dos contracheques e aposentadorias para cobrir o rombo de 2014. Agora, para cobrir o rombo de 2015, a taxa adicional subirá para 10,68% ao mês pelo período de 17 anos e meio. Neste plano, o rombo acumulado que precisa ser equacionado é de R$ 6,69 bilhões -- metade deste valor é pago pelos contribuintes e a outra parte, pela Caixa.

Já os 5,5 mil participantes do REG/Replan Não Saldado pagarão pela primeira vez a contribuição extra. As taxas variam de acordo com o nível dos salários e benefícios dos participantes -- de 2,53% ao mês a 22,91% ao mês por quase 20 anos. A parte do rombo de 2015 que precisa ser equacionada nesse plano totaliza R$ 1,023 bilhão. Junto com a contribuição mensal por volta de 12% do salário ou benefício, o corte no contracheque pode ultrapassar um terço!

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, "em tese", a Caixa teria de fazer o provisionamento de sua parte na recomposição, mas há fontes argumentando que "há a possibilidade de a instituição não ser obrigada a provisionar imediatamente o pagamento total para não causar um impacto significativo no resultado do banco".

A Funcef é o terceiro maior fundo de pensão do País e vem apresentando déficits desde 2011. No entanto, pelas novas regras instituídas no ano passado, não é preciso cobrir a totalidade do déficit, apenas uma parcela que varia de acordo com o perfil de cada plano. Em 2015, o rombo foi de R$ 8,1 bilhões.


Investigação

O rombo nos fundos de pensão de empresas estatais, incluindo a Funcef, foi investigado por uma CPI criada no Congresso que terminou com o indiciamento de 145 pessoas suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. Entre os investimentos considerados suspeitos, e dos quais a Funcef participou, está a Sete Brasil, empresa criada em 2011 para administrar sondas de perfuração da Petrobras e que depois foi envolvida no "petrolão".


Seminário

A Frente Nacional de Oposição Bancária (FNOB) realizou no dia 2, em Porto Alegre, um seminário com Max Mauran, diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef eleito pelos empregados. A ideia é levar a discussão a mais cidades para que os trabalhadores vejam a gravidade da situação e tomem consciência da importância de acompanhar de perto os rumos da fundação.



'Slide' apresentado no seminário explica em resumo o déficit da Funcef



Max Mauran Pantoja da Costa, diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef eleito pelos empregados da Caixa


Marcelo Negrão, Paulo Tonon e Roberval Pereira, diretores do Sindicato, participaram do seminário em Porto Alegre


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