Terça-feira, 26 de setembro de 2017
Bradesco

Bradesco demite trabalhadora com base em avaliação pós-venda

Cliente não gostou do produto oferecido pelo banco e quem se prejudicou foi a bancária que o vendeu. Injustiça!

Bancários na Frente 22
06/12/2016

Hoje em dia, uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos bancários é o cumprimento de metas. Os bancos exigem que os funcionários vendam uma quantidade absurda de produtos, e esses funcionários têm de se desdobrar para atingir sua meta.

A consequência mais imediata da imposição de metas é o assédio moral, já que os gestores não param de cobrar resultados -- quase sempre sugerindo que os bancários que não as cumprem ou são incompetentes ou estão marcados para ser demitidos.

Essa pressão pelo cumprimento de metas leva os trabalhadores ao desespero, e eles acabam empurrando produtos bancários a familiares, amigos e, por fim, a clientes que, na maioria das vezes, não têm interesse, mas que ainda assim acabam cedendo.

Acontece que o Bradesco implementou um sistema de pós-venda para avaliar a satisfação dos clientes que adquirem seus produtos, e está usando as avaliações para demitir funcionários. Foi o que aconteceu com uma bancária de Arealva, demitida depois que um cliente demonstrou insatisfação com um determinado produto.

Sindicato dos Bancários de Bauru e Região conversou com o gerente regional do Bradesco, Alexandre Setti, que disse não haver vinculação entre a avaliação do cliente e a demissão da bancária. Informalmente, no entanto, a bancária foi avisada por um de seus superiores que o motivo da demissão foi, sim, a avaliação.

Para o Sindicato, é injusto usar avaliações negativas de clientes para demitir, pois avaliações são quase sempre subjetivas. É comum uma pessoa adquirir um produto e não gostar dele. É questão de gosto, de perfil.

O Bradesco é o segundo banco privado do país e tem lucros bilionários todo ano. Em 2015, teve lucro líquido de R$ 17,2 bilhões (seu recorde histórico), além de ter lucrado mais R$ 11,49 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. Ou seja: não precisa demitir trabalhadores, principalmente agora, em época de crise econômica. Em 2015, fechou 2.659 postos de trabalho, e já eliminou outras 3.955 vagas até setembro (excluindo o pessoal oriundo do HSBC). É uma vergonha!

Sindicato está acompanhando juridicamente a demissão e intensificará as visitas às agências do Bradesco para garantir que essa prática não volte a ocorrer.








No dia 8 de novembro, Sindicato fez um protesto em frente à agência Ezequiel Ramos para denunciar a demissão da bancária de Arealva, onde há um PAB vinculado à agência. Os clientes do Bradesco têm de saber que, em um ano e meio, o banco fechou mais de 4 mil postos de trabalho! (Fotos: Estela Pinheiro / Seeb Bauru)


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