Sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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Nota do Sindicato sobre a demissão da diretora Priscila Rodrigues


Bauru, 26 de abril de 2016

A disputa política e sindical ultrapassou todos os limites. A bancária Priscila Rodrigues, diretora atual do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, reeleita recentemente, em janeiro deste ano, acaba de ser demitida pelo Banco Votorantim, após uma ação inaceitável promovida pelo Movimento Nacional de Oposição Bancária, MNOB, corrente bancária dirigida pelo PSTU.

Em Bauru, durante o último mandato do sindicato dos bancários, a diretoria se dividiu por conta do retorno do MNOB e do PSTU aos fóruns governistas e pró-patronais dos bancários, promovidos pela Contraf/CUT.

A Contraf/CUT é a confederação que sistematicamente trai as greves e é responsável pelos piores ataques aos bancários nos últimos anos, assinando acordos rebaixados, permitindo ondas de demissões e sendo parte dos que destruíram os planos de Previdência dos bancários.

Pois o MNOB e o PSTU retornaram à Contraf/CUT, voltando a ser uma corrente que a disputa por dentro, integrando sua Conferência Nacional e algumas das estaduais, seus fóruns nacionais específicos por bancos e construindo chapas com correntes governistas que também compõem a Contraf/CUT.

Além do retrocesso político que significam as posições do MNOB e do PSTU, e do risco que isso significaria como posição majoritária do sindicato de Bauru, ou de qualquer outra entidade, a divisão da diretoria da entidade se deu também pelo processo de burocratização e aparelhamento de parte da entidade por meio dos diretores ligados ao MNOB e ao PSTU. Estes, por exemplo, utilizavam a estrutura do sindicato como uma extensão de suas organizações, empregando funcionários e advogados a serviço apenas de seus interesses e do PSTU, e não da categoria.

A Chapa 1 da última eleição, composta por Priscila, saiu vencedora da eleição, derrotando a Chapa 2, construída pelo MNOB e pelo PSTU. A base elegeu quem esteve nos piquetes de greve, agiu com democracia e apontou o caminho alternativo de luta, por fora do governismo, conchavos com a CUT e de volta aos fóruns da Contraf/CUT.

Mas o MNOB não aceitou isso. Em uma medida burocrática e oportunista, pediram a impugnação da candidatura de Priscila junto à comissão eleitoral. E esse gesto foi defendido pelos dirigentes nacionais do MNOB e do PSTU, direta ou indiretamente, ao estarem presentes em todo o processo de elaboração dos materiais da Chapa 2, além de cada dia da campanha e da eleição, sem nenhuma crítica.

A ação foi indeferida pela comissão eleitoral, mas o MNOB foi ainda mais longe. Abriu um processo na Justiça burguesa, pedindo a cassação do mandato de Priscila.

Nós alertamos desde o começo, e isso era evidente a qualquer observador honesto, que a ação que questionavas sua base territorial levava, inevitavelmente, a questionar também seu vínculo empregatício, e ameaçava seu emprego. Todos sabiam. Os dirigentes nacionais bancários do MNOB e do PSTU sabiam. Os dirigentes do PSTU de outras categorias, inclusive os que dirigem a CSP-Conlutas, sabiam. E o tempo todo fizeram parte disso.

Não apenas não fizeram absolutamente nada contra esse processo imoral, como o estimularam. Não fizeram nenhuma nota contrária, não tomaram nenhuma providência e sequer tomaram alguma medida nacional do MNOB desautorizando a ação de Bauru, por exemplo.

Mais do que cúmplices, foram os autores da ação, ainda que sem a assinar. Tanto isso é verdade que, diante da votação de assembleia sobre quem seriam os diretores com liberação sindical, o MNOB e o PSTU, novamente, tentaram propor que se retirasse a ação na Justiça em nome de obterem liberações sindicais. Priscila e os companheiros da Chapa 1 negaram esse acordo fisiológico, de cargos por honestidade e moral política. Os responsáveis do MNOB, então, seguiram atuando sem moral alguma e como agentes dos patrões, perseguindo uma trabalhadora e a terminando de entregar ao Banco Votorantim.

A ação chegou ao ponto em que a juíza responsável determinou que, para sua decisão sobre cassar ou não o mandato de Priscila -- e levar à sua demissão, em seguida -- o Banco Votorantim deveria se pronunciar. Os autores da ação vibraram com essa decisão. Foi o que eles quiseram desde o início: que a Justiça burguesa e o banco Votorantim decidissem sobre a direção do sindicato dos trabalhadores. Que o banco e a Justiça determinassem a punição de uma trabalhadora, diretora eleita pela base! Pois o que eles queriam ocorreu, e o Banco Votorantim se pronunciou: Priscila foi demitida!

Além de diretora do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, exemplo de luta e democracia, contraposto a tantas entidades sindicais pelegas e burocráticas, Priscila é também dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, eleita pela chapa do Bloco Classista, Anticapitalista e de Base sem ter pedido ou negociado seu cargo com ninguém. Obteve-o pelo voto, de forma inquestionável, pois sua posição dentro da central é de oposição à direção majoritária da CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU.

Por isso, é ainda mais inaceitável que tenha partido de uma corrente que diz ser parte da CSP-Conlutas, o MNOB, a ação que levou à demissão de Priscila. Em última análise, a maioria da CSP-Conlutas também será responsável se se omitir diante disso tudo!

Por isso, propomos uma série de ações urgentes a serem tomadas, em defesa do emprego de Priscila e contra a perseguição a uma mulher de luta e dirigente da classe trabalhadora, que está sendo alvo de uma campanha de ataques inescrupulosos e típicos do que de pior já existiu dentro do movimento operário: o stalinismo.

Propomos que a CSP-Conlutas exija a imediata retirada da ação contra Priscila, sob pena de o MNOB ter de ser afastado da CSP-Conlutas. A nossa moral não pode permitir que uma companheira seja perseguida até a Justiça burguesa por um grupo que compõe a central.

Da mesma forma, exigimos uma nota pública do PSTU repudiando a ação contra uma integrante da SEN da CSP-Conlutas e diretora sindical eleita pela base. Se o PSTU, cujos dirigentes estiveram "in loco" em todo o processo, diz ser contra sua continuidade, que se pronuncie de forma contundente e pública, não apenas em defesa do emprego da companheira (que só foi ameaçado pela ação do MNOB), mas repudiando a própria ação do MNOB.

E defendemos uma imediata campanha contra o Banco Votorantim, que envolva a pressão também sobre o Banco do Brasil e o governo Dilma, já que o BB detém 49,99% das ações do Banco Votorantim. Essa campanha deve ser composta das medidas judiciais cabíveis, além de moções sindicais e manifestações, que devem ser a prioridade das entidades que compõem a CSP-Conlutas daqui para a frente.

A demissão de uma dirigente da Executiva de nossa central é o mais grave ataque à liberdade sindical e aos direitos democráticos dos trabalhadores que já tivemos desde que a CSP-Conlutas foi formada.

O precedente de termos uma dirigente demitida é perigosíssimo e não pode passar em branco. Todos os nossos esforços serão necessários, e uma medida se faz urgente e primordial em relação a todas as demais: tratar como inaceitável a ação que originou sua demissão e inaceitável a participação na CSP-Conlutas dos indivíduos e movimentos que forem autores de uma medida dessas, oposta à moral operária e típica dos nossos inimigos de classe.


Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região
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