Terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Santander

Até quando, Santander?


26/09/2017
Jornal Bancários na Luta, edição 7 - Especial Santander

Trabalhar num banco, hoje em dia, não é nada agradável. Os bancários estão entre os trabalhadores que mais contraem doenças físicas e mentais em razão de suas atividades. Por quê? Porque estão submetidos a uma rotina que, cada vez mais, se baseia na pressão pelo cumprimento de metas. É um modelo que já se provou extremamente equivocado.

Entre os bancos que atuam no Brasil, o Santander é o mais agressivo na cobrança de metas. Nem o lucro recorde do último semestre (de R$ 4,6 bilhões, que representou 26% do lucro mundial do banco) foi suficiente para o Santander mudar seu estilo de gestão.

Em 2016, o banco fechou 2.770 postos de trabalho, e as demissões continuam a ocorrer: no primeiro semestre, outras 658 vagas foram extintas pelo banco. Em Bauru, o Santander realizou quatro demissões sem justa causa nos últimos quinze dias.

Na base do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, chama atenção a insensibilidade das demissões, que incluem a de uma bancária que voltou de licença-saúde de dois anos e foi demitida no mesmo dia do seu retorno e, ainda, a de um bancário que estava prestes a entrar no período de estabilidade pré-aposentadoria.

Sindicato já prepara ações judiciais para reparar essas injustiças. Não podemos achar natural tanto assédio e desrespeito!

Leia a seguir alguns depoimentos de bancários que trabalharam no Santander e denunciaram a pressão e o assédio no banco:

"Fui demitido sem justa causa às vésperas de entrar no período de estabilidade pré-aposentadoria. Devido ao meu histórico de LER/Dort adquirido no banco, fui reintegrado pelo Sindicato, mas o banco me reintegrou na mesma função que eu exercia, e o resultado foi a piora da minha saúde."
Celso*

"O gerente geral de onde eu trabalhava constantemente fazia reuniões de cobrança de meta abusando de palavras chulas que nos constrangiam. Pior: me fazia transportar dinheiro sem qualquer segurança, o que me causou sérios transtornos psíquicos." Cristina*

"Embora meu horário de entrada fosse às 9 horas, todo dia eu era obrigada a chegar 40 minutos mais cedo. Também me obrigavam a continuar produzindo depois de bater o ponto. Minha jornada de trabalho muitas vezes ultrapassava dez horas. Mesmo assim, não era suficiente para o banco." Fernanda*

"Todo dia convivia com a exigência descabida de cumprimento de metas, com seguidas ameaças indiretas, e às vezes diretas, de demissão. Me sentia humilhado. Passei a somatizar pânico, depressão e ansiedade, sentindo um vazio em minha existência." Paulo*

"Fui uma funcionária dedicada. Sempre cumpri as metas estipuladas. De repente, isso já não era mais suficiente. Além das metas da agência onde eu trabalhava, me vi obrigada a ajudar nas metas da Regional. O adoecimento foi inevitável: acabei vítima da síndrome de burnout (esgotamento profissional)." Mariana*

"Na minha gravidez, fui proibida de comparecer a exames médicos durante a jornada de trabalho, que ia além das oito horas. Durante a licença-maternidade, recebia ligações diárias do gerente da agência me ameaçando com a demissão. Meu leite diminuiu e tive febre por 15 dias." Manuela*

(* Os nomes foram alterados para resguardar a privacidade dos trabalhadores.)


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